Reflexões
A carroça
Uma das grandes preocupações de nosso pai, quando éramos pequenos, consistia em fazer-nos compreender o quanto a cortesia é importante na vida.
Por várias vezes percebi o quanto lhe desagradava o hábito que têm certas pessoas de interromper a conversa quando alguém está falando. Eu especialmente, incidia muitas vezes nesse erro. Embora visivelmente aborrecido, ele, entretanto, nunca ralhou comigo por causa disso, o que me surpreendia bastante.
Certa manhã, bem cedo, ele me convidou para ir ao bosque a fim de ouvir o cantar dos pássaros. Aceitei com grande alegria e lá fomos nós, umedecendo nossos calçados com o orvalho da relva.
Ele se deteve em uma clareira e, depois de um pequeno silêncio, me perguntou:
- Você está ouvindo alguma coisa além do canto dos pássaros?
Apurei o ouvido alguns segundos e respondi:
- Estou ouvindo o barulho de uma carroça que deve estar descendo pela estrada.
- Isso mesmo... disse ele. É uma carroça vazia...
De onde estávamos não era possível ver a estrada e eu perguntei admirado:
- Como pode o senhor saber que está vazia?
- Ora, é muito fácil saber que é uma carroça vazia. Sabe por que?
- Não! respondi intrigado.
Meu pai pôs-me a mão no ombro e olhou bem no fundo dos meus olhos, explicando:
-Por causa do barulho que faz. Quanto mais vazia a carroça, maior é o barulho que faz.
Não disse mais nada, porém deu-me muito em que pensar.
Tornei-me adulto e, ainda hoje, quando vejo uma pessoa tagarela e importuna, interrompendo intempestivamente a conversa de todo mundo, ou quando mesmo, por distração, vejo-me prestes a fazer o mesmo, imediatamente tenho a impressão de estar ouvindo a voz do meu pai soando na clareira do bosque e me ensinando:
- Quanto mais vazia a carroça, maior é o barulho que faz!
Este texto faz parte do livro “E, para o resto da vida...” Autor: Wallace Leal V. Rodrigues
Casa Editora O Clarim. Arte: Cláudia Daniel
A mala de viagem
Conta-se uma fábula sobre um homem que caminhava vacilante pela estrada, levando uma pedra numa mão e um tijolo na outra.
Nas costas carregava um saco de terra; em volta do peito trazia vinhas penduradas. Sobre a cabeça equilibrava uma abóbora pesada.
Pelo caminho encontrou um transeunte que lhe perguntou: “Cansado viajante, por que carrega essa pedra tão grande?”
“É estranho”, respondeu o viajante, “mas eu nunca realmente tinha notado que a carregava”. Então, ele jogou a pedra fora e se sentiu muito melhor.
Em seguida veio outro transeunte que lhe perguntou: “Diga-me cansado viajante, por que carrega essa abóbora tão pesada?”
“Estou contente que me tenha feito essa pergunta”, disse o viajante, “porque eu não tinha percebido o que estava fazendo comigo mesmo.” Então ele jogou a abóbora fora e continuou seu caminho com passos muito mais leves.
Um por um os transeuntes foram avisando-o a respeito de suas cargas desnecessárias. E ele foi abandonando uma a uma. Por fim, tornou-se um homem livre e caminhou como tal. Qual era na verdade o problema dele? A pedra e a abóbora? Não. Era a falta de consciência da existência delas. Uma vez que as viu como cargas desnecessárias, livrou-se delas bem depressa e já não se sentia mais tão cansado. Esse é o problema de muitas pessoas. Elas estão carregando cargas sem perceber. Não é de se estranhar que estejam tão cansadas.
O que são algumas dessas cargas que pesam na mente de um homem e que roubam as suas energias?
a. Pensamentos negativos.
Culpar e acusar outras pessoas.
c. Permitir que impressões tenebrosas descansem na mente.
d. Carregar uma falsa carga de culpa por coisas que não poderiam ter evitado.
e. Autopiedade
f. Acreditar que não existe saída
Todo mundo tem o seu tipo de carga especial, que rouba energia. Quanto mais cedo começarmos a descarregá-la, mais cedo nos sentiremos melhor e caminharemos mais levemente.
(Extraído do livro “Psychography”, de Vernon Howard)
À procura de significados
O escritor e filósofo Albert Camus dizia que “se os homens nem sempre podem conseguir que a história tenha sentido, sempre podem atuar de tal forma que suas próprias vidas o tenham”.
A palavra “sentido” refere-se a “aquilo que é significativo para o indivíduo em cada situação particular da sua vida”. O sentido é único e pessoal, como também a busca de sentido. A perda do senso de que a vida tem significado leva à melancolia, à monotonia, ao alcoolismo, ao sexo desenfreado ou compulsivo, à delinqüência juvenil e, em alguns casos, ao suicídio.
Para Emile Durkheim, em seu clássico estudo sobre o suicídio, o maior número de suicídios é causado pela anomia, que poderia ser considerada a “falta de significado”. E o suicídio “anômico” ocorre quando uma pessoa ou não tem objetivo algum na vida, ou persegue um objetivo inatingível, seja o poder, o sucesso ou o prestígio. Durkheim acrescenta que nenhum ser humano pode ser feliz ou mesmo existir, a não ser que suas necessidades sejam suficientemente proporcionais aos seus meios.
Comentando sobre a obra de Viktor Frankl,
o húngaro Arthur Koestler, grande ativista político e social, escreveu: “Existe no homem uma tendência inerente para sair à procura de significados para preencher e de valores para realizar... Milhares e milhares de jovens estudantes vivem expostos a uma doutrinação... que nega a existência de valores. O resultado disso é um fenômeno que vem se espalhando pelo mundo todo - mais e mais pacientes se acotovelam em nossas clínicas queixando-se de um vazio interior, de uma total e extrema falta de significado na vida”.
Os seres humanos que não sabem o significado da sua vida vagam a esmo pelo mundo. Cristo sabia precisamente quem Ele era e qual o significado da sua vida: “Eu sou a luz do mundo; aquele que me seguir não caminhará nas trevas”. “Eu sou a vida”. “Eu sou a ressurreição. Aquele que crê em mim, mesmo que morra, viverá”.
Jesus confere significado ao sofrimento e à morte, à nossa vida como um todo. Ele nos fornece mais significados do que respostas. A verdadeira doença mental e emocional da qual muitos sofrem hoje em dia não é neurose ou psicose e sim ausência de significado.
Texto do livro Seja Feliz em Um Mundo Infeliz de Alex Cardoso
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Oração da Família
Que nenhuma família comece em qualquer de repente
Que nenhuma família termine por falta de amor
Que o casal seja um para o outro de corpo e de mente
E que nada no mundo separe um casal sonhador
Que nenhuma família se abrigue debaixo da ponte
Que ninguém interfira no lar e na casa dos dois
Que ninguém os obrigue a viver sem nenhum horizonte
Que eles vivam do ontem, no hoje em função de um depois
Que a família comece e termine sabendo aonde vai
E que o homem carregue nos ombros a graça de um pai
Que a mulher seja um céu de ternura aconchego e calor
E que os filhos conheçam a força de onde brota o amor
Que marido e mulher tenham forças de amar sem medida
Que ninguém vá dormir sem pedir ou dar seu perdão
Que as crianças aprendam no colo o sentido da vida
Que a família celebre a partilha do abraço e do pão
Que marido e mulher não se traiam nem traiam seus filhos
Que o ciúme não mate a certeza do AMOR entre os dois
Que no seu firmamento a estrela que tem maior brilho
seja a firme esperança de um céu aqui mesmo e depois
Não estrague o seu dia
A sua irritação não solucionará problemas.
As suas contrariedades não alteram a natureza das coisas.
Os seus desapontamentos não fazem o trabalho que só o tempo conseguirá realizar.
O seu mau humor não vai modificar a vida.
A sua dor não impedirá que o sol brilhe amanhã, sobre os bons e os maus.
A sua tristeza não iluminará nenhum caminho.
O seu desânimo não edificará ninguém.
As suas lágrimas não substituem o suor que você deve verter em benefício de sua felicidade.
As suas reclamações, mesmo afetivas, jamais acrescentarão nos outros um só grama de simpatia por você.
Não estrague o seu dia. Aprenda com a sabedoria divina, a desculpar infinitamente construindo e reconstruindo sempre para o infinito bem.
Não estrague o seu dia. Busque em todos os momentos a presença de nosso Pai Celestial e, com certeza, você passará a todos os que lhe rodeiam, somente alegria e otimismo.
Não estrague o seu dia... Sorria sempre.
Reencontre sua capacidade de sorrir
“Alcançou sucesso aquele que viveu bem, riu com freqüência e amou muito” (Bessie Stanley).
Não se nasce feliz ou infeliz. Aprende-se a ser feliz pela maneira como se confronta a realidade da vida. A felicidade não está ligada à ausência de problemas ou de adversidades, mas à sua capacidade de enfrentá-los positivamente.
Seguem aqui algumas regras para se viver bem-humorado:
•Não se aborreça com coisas pequenas;
•Todas as coisas são pequenas;
•Pequenos problemas só atingem mentes pequenas.
Se observarmos estas regras, descobriremos o quanto elas nos auxiliarão no enfrentamento dos nossos problemas diários.
O filósofo alemão Emmanuel Kant dizia: Para compensar a miséria humana, Deus proveu o homem de três dons: o sono, o sorriso e a esperança.
O sorriso pode brotar das lembranças e pensamentos que ocupam a mente, ou de situações engraçadas que a pessoa vivencie. Há tantas razões para chorar como para rir na vida e, no fundo, há sempre um pouco de comédia em nossas tragédias e um pouco de tragédia em nossas comédias. O bom humor ajuda a adoçar os momentos amargos, amenizar os desapontamentos e manter a realidade em sua devida proporção.
O sorriso é um remédio, não apenas para o espírito, mas também para o corpo. Ele liberta das tensões internas e carrega a bateria para os dias sombrios. Recentemente, eu li num calendário a seguinte mensagem: Um sorriso custa muito pouco. Ninguém é tão rico que não o possa receber, e ninguém é tão pobre que não o possa dar. Se você encontrar alguém que não lhe sorri, seja generoso e sorria para ele, porque ninguém necessita tanto de um sorriso como aquele que não consegue dá-lo aos outros.
No século 18, Sebastião Chamfort escreveu:O dia mais desperdiçado é aquele em que não rimos.
Quantos dias você tem desperdiçado ultimamente? Qual foi a última vez que você deu uma boa risada?
O editor e escritor Norman Cousins explicou em “Anatomia de uma doença” como o riso o ajudou a superar a dor da sua grave doença no sistema endócrino: Eu fiz a maravilhosa descoberta: que dez minutos dando umas boas gargalhadas tinham um efeito anestésico, me dando pelo menos duas horas de sono sem dor. Parte da terapia (risoterapia?) que ele criou para si mesmo consistia em assistir a filmes de comédia e ler livros criativos de auto-ajuda. Norman Cousins só observou um efeito colateral negativo das suas risadas quando estava no hospital - incomodavam os outros pacientes. Sem dúvida porque eles não estavam rindo. Pena que ele não tivesse um telão, pois compartilhar risadas é ainda melhor do que rir sozinho. Duas risadas assim como duas cabeças é melhor do que uma.
O humor é uma dádiva tanto para aquele que recebe quanto para aquele que concede. O riso fez com que Norman Cousins se sentisse melhor fisicamente, mas nós podemos nos sentir melhor em outro sentido. Doses regulares de riso também fazem com que sejamos melhores em termos de sentimento. Um bom riso é relaxante, faz com que nossas emoções venham à tona. Os especialistas dizem que as pessoas comuns sorriem quinze vezes por dia. Isso parece muito ou pouco para você?
Este texto faz parte do livro Faça Cada Dia Valer a Pena, de Alex Cardoso.
Pedidos: 0300-7892502 - MK Editora - ou acesse: www.mkeditora.com.br
“O médico é, acima de tudo, um educador”.
“Se toda a medicina não está na bondade, menos vale dela separada”. Miguel Couto
Com razão estão aqueles que catalogam o exercício da medicina como puro sacerdócio. O médico é aquele que nos ajuda a devolver a saúde do corpo, contribuindo, assim, para a saúde do espírito. Não há dúvida de que o bem-estar físico é um dos maiores dons que o ser humano pode possuir. A doença pode impedir o desempenho de muitas tarefas, realizações, sonhos e objetivos, trazendo, por conseguinte, maiores frustrações ao doente e com ela outras doenças.
Que alegria deve sentir o médico quando consegue devolver a saúde ao doente. Por vezes, o paciente vê no médico a sua última saída. Vê no médico o seu confessor, como se ele fosse o próprio Deus.
Porém, poucos de nós conseguimos ver no médico a figura de um educador. O médico tem várias facetas: além de conhecer medicina, é claro, desempenha outros papéis. Deve, por exemplo, ter um pouco de psicólogo, a fim de conhecer o seu paciente, detectando a alma que se encontra por trás daquele corpo. Deve também ter um pouco de curandeiro, no bom sentido, é claro, porque afinal de contas médico que não cura não é tão médico. Deve ser o facultativo muito educado e atencioso, porque na maior parte das vezes o doente está frágil, carente, e nada pior do que ingressar num consultório pela primeira vez e ter de expor suas dores para alguém que sequer lhe olha na cara.
Mas acredito que um dos mais importantes papéis do médico é o de educador. Sim, porque na hora da consulta o doente deve ser visto como um aluno, às vezes repetente. E o médico é o professor, aquele que vai explicar ao aprendiz o porquê da doença. Não certamente o lado científico, mas aqueles prováveis componentes que desencadearam a enfermidade. Muitas das doenças brotam pela forma inadequada com a qual nos comportamos. Os vícios tão conhecidos, como o cigarro e a bebida, são campeões de bilheteria nos hospitais e necrotérios. Os hábitos alimentares irregulares também ocasionam vários distúrbios orgânicos de grande monta. Sem falar nas inúmeras doenças provocadas pelos desequilíbrios emocionais. Que o digam os milhares de portadores de doenças psicossomáticas, como a gastrite, a colite, a hipertensão arterial, etc.
Certa ocasião, um famoso médico foi consultado por um homem que se queixava de inexplicável cansaço físico, estava sempre abatido, irritado e com a pressão arterial elevada. O facultativo solicitou inúmeros exames laboratoriais, e depois de realizados nenhuma alteração foi notada que justificasse aqueles sintomas. O médico então sugeriu que seu paciente procurasse levar uma vida menos tensa, que saísse mais, procurando se divertir em cinemas, teatros, etc. Assim procedeu o paciente. Mas nenhuma melhora sobreveio. Continuava do mesmo jeito. Voltou ao médico, que dessa feita mandou que procurasse fazer uma longa viagem, que conhecesse outros países, quebrando a sua rotina de trabalho. Assim procedeu o paciente. Esteve na Europa por 30 dias, conhecendo lugares belíssimos, mas a tristeza, o cansaço e a pressão elevada não o abandonavam.
Voltou de viagem e retomou ao médico, afinal de contas havia pago uma fortuna pelas consultas. O facultativo, atônito, disse que nada mais poderia fazer, a não ser recomendar-lhe, como último remédio, que fosse até um famoso circo que estava na cidade há vários meses e lá assistisse ao show do palhaço, o mais engraçado de todos os tempos. Não havia tristeza que aquele palhaço não curasse, dizia o médico.
O paciente sorriu ironicamente e disse: “Doutor, eu não posso ir assistir àquele palhaço, PORQUE AQUELE PALHAÇO SOU EU!”
Veja, amigo, a importância de o médico conhecer a alma de seu paciente, a fim de poder propiciar o tratamento mais adequado. Chegará o dia, que não tarda, em que nenhum médico conseguirá a cura do corpo se não conseguir antes reparar os desequilíbrios do espírito. Daí por que avulta a figura do médico educador: aquele que orienta o paciente, que lhe mostra a razão da doença, que não se limita a atacar o seu efeito, mas que pesquisa sobretudo a sua causa. Não adianta, por exemplo, receitar um antiácido para a azia estomacal se não for dito ao doente a razão pela qual seu estômago está produzindo excesso de ácido. O médico deve propiciar o alívio dos sintomas, mas deve também educar o paciente para que ele entenda o processo do adoecer, do qual é o mais importante protagonista.
Mas também não basta o médico querer educar se o paciente se comporta como um aluno rebelde.
Por vezes, nós, pacientes, estamos esperando que algum milagre aconteça. É uma atitude infantil. Fico pensando se de fato nós queremos a cura para as nossas doenças, porque na maioria das vezes mantemos os mesmos hábitos e condutas que nos tornaram enfermos. Será que aquele palhaço queria mesmo ser curado?
Você, meu amigo, que exerce a medicina, lembre-se de que o doente é muito mais do que um corpo, é muito mais do que um coração descompassado. Ou, como diria Montaigne: “Não é um corpo, não é uma alma, é um homem”. Agora, você, que está doente, não se esqueça de que o médico não lhe prescreverá remédio algum para o descaso com a sua própria pessoa.
Que tal lembrar-se disso na sua próxima consulta?
Texto do livro Sem Medo de Ser Feliz.
Autor: José Carlos de Lucca.
TEMPO...
“Quem teve a idéia de cortar o tempo em fatias,
Industrializou a esperança
fazendo-a funcionar no limite da exaustão.
Doze meses dão para qualquer ser humano
se cansar e entregar os pontos.
Aí entra o milagre da renovação e tudo começa outra vez
com outro número e outra vontade de acreditar
que daqui para adiante vai ser diferente...
...Para você,
Desejo o sonho realizado.
O amor esperado.
A esperança renovada.
Para você,
Desejo todas as cores desta vida.
Todas as alegrias que puder sorrir.
Todas as músicas que puder emocionar.
Para você neste novo ano,
Desejo que os amigos sejam mais cúmplices,
Que sua família esteja mais unida,
Que sua vida seja mais bem vivida.
Gostaria de lhe desejar tantas coisas.
Mas nada seria suficiente...
Então, desejo apenas que você tenha muitos desejos.
Desejos grandes e que eles possam te mover a cada minuto,
ao rumo da sua FELICIDADE!!!”
(Carlos Drummond de Andrade)